A pergunta que não quer calar: por que muitos gostam de assistir a filmes de terror? Alguns estudiosos acreditam que esse gênero dá-nos uma combinação de fatores que resultam no prazer, como adrenalina + vivenciar algo inimaginável + segurança de passar por essas situações sem nenhum arranhão. Enfim, estudos à parte, fato é que em 1996 o diretor Wes Craven (Viagem Maldita e A Hora do Pesadelo) resolveu realizar um filme metalingüístico, ou seja, a linguagem cinematográfica dentro do filme, para se aprofundar nas “regras” deste gênero. Esse filme foi chamado de Pânico ( Scream ) e se tornou um clássico instantâneo, sendo sucesso de público e crítica. A ideia era simples, os personagens tiravam sarro dos clichês dos filmes de terror, enquanto o filme utilizava os mesmos clichês para contar sua história.

O primeiro filme possui as seguintes regras:

  • Regra 1: Você não vai sobreviver se fizer sexo.
  • Regra 2: Você não vai sobreviver se beber ou usar drogas.
  • Regra 3: Você não vai sobreviver se falar “Volto já”.
  • Regra 4: Todo mundo é suspeito.
  • Regra 5: Você não vai sobreviver se perguntar “Quem está aí?”
  • Regra 6: Você não vai sobreviver se sair para investigar um barulho estranho.

O sucesso foi suficiente para criar uma franquia, sendo que a primeira sequência chega aos cinemas em 1997 como Pânico 2 (Scream 2). A continuação é realizada pelo mesmo diretor e roteirista do primeiro longa. Assim o filme trouxe novamente Sidney Prescott (atriz Neve Campbell) que sempre consegue sobreviver aos ataques do maníaco Ghostface, mas agora a película contém pitadas de humor e que, às vezes, beira o caricato. As regras são outras:

  • Regra 1: O número de mortes é sempre maior no segundo filme.
  • Regra 2: As cenas de morte sempre são muito mais elaboradas, com mais sangue e violência.
  • Regra 3: Nunca, sob qualquer circunstância, assuma que o assassino está morto.

Em 2000 é a vez de Pânico 3 (Scream 3), e Wes Craven deixa o roteiro por conta de Ehren Kruger. Os mesmos personagens voltam ao terceiro filme para vivenciar as regras da trilogia:

  • Regra 1: O assassino tem que ser sobre-humano – esfaquear ou atirar não será suficiente para acabar com ele.
  • Regra 2: Todo mundo, até o personagem principal, pode morrer.
  • Regra 3: O passado voltará para assombrar. Qualquer ação cometida no passado pode voltar e pode te destruir.
  • Regra 4: No terceiro filme de trilogias, tudo pode acontecer.

Sendo assim, 11 anos depois, chega agora aos cinemas Pânico 4 (Scream 4) com os mesmos personagens, mesmo diretor e com o roteirista dos dois primeiros filmes. O que esperar de um filme que chega a sua quarta parte? Um filme medíocre, os velhos truques, direção preguiçosa, um verdadeiro caça-níquel, mas é justamente o contrário.

Sidney Prescott, desta vez, volta para a cidadezinha de Woodsboro para encerrar a turnê de divulgação de um livro de auto-ajuda campeão de vendas, em que conta como deu a volta por cima. Este é o start para uma nova onda de assassinatos, mas com sequências fantásticas, que não deixam o ritmo cair, diálogos maravilhosos e inteligentes, fatores que fazem com que o filme torne-se uma grande surpresa para os espectadores, que esperavam um filme fraco. Mas a grande idéia dos criadores foi não levar o filme tão a sério e trabalhar a comédia, pois seria impossível assistir ao filme sem lembrar as inúmeras sátiras que foram feitas ao longo destes anos, como o caso do filme “Todo Mundo em Pânico”. com isso,  podemos considerar  a cena de abertura tão boa quanto a do primeiro filme ou até melhor.

Logo, o filme apresenta novas regras:

  • Regra 1: As mortes têm de ser mais radicais.
  • Regra 2: O inesperado é o novo clichê.
  • Regra 3: Virgens podem morrer.
  • Regra 4: O assassino tem de filmar as mortes.

Como não poderia ser diferente, Wes Craven faz uma crítica à sociedade moderna, assim temos diálogos incríveis ( “O terror de uma geração é a comédia de outra” ou “O importante não é ter amigos, mas sim ter fãs” ).  A escolha de manter o diretor para realizar as sequências é algo que conforta um pouco, já que os filmes ficam mais sólidos, mas isso não quer dizer que todos serão um arrasa quarteirão, mas Wes Craven mantém o nível, sendo que Pânico 4 pode ser considerado o melhor da franquia, superando até o primeiro, fato raro, se compararmos a muitas outras franquias, que se perderam em suas sequências, como o caso de Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo e Halloween.

Neste filme temos uma parte da resposta feita no início desse artigo. Esses filmes são formas alternativas de mostrar como a sociedade encara seus medos ou como encara a própria violência. Vivemos em uma sociedade violenta e irônica, palavras que o filme consegue captar com maestria. Por fim, corram para o cinema e tirem suas próprias conclusões.

PÂNICO 4 Scream 4

EUA , 2011 – 111 minutos

Terror

Direção:

Wes Craven

Roteiro:

Kevin Williamson

Elenco:

Neve Campbell, Emma Roberts, Courteney Cox, David Arquette, Marielle Jaffe, Rory Culkin, Erik Knudsen.

Por Thiago Romio

This article has 5 comments

  1. Depois de ler tudo isso, me deu até vontade de rever os filmes… :)

  2. Nossa, fique super empolgada para assistir esse filme….
    Assim que der, com toda certeza vou assistir….

  3. Adorei a publicação! Realmente “Pânico 4” me surpreendeu. Não dava nada para o filme, mas logo com a cena de abertura já me ganhou. Usar a comédia tirando sarro dos filmes da própria franquia “Pânico” foi brilhante. Também considero Pânico 4 o melhor.

  4. Olha… eu adoro panico 1 o 2 o 3 e o 4 … Espero que teenha mais filmes do panico…. Eu adoro o trabalho deles… Panico 4 me surpreendeu… Estão de parabens !

  5. Realmente eu gosto muito dos filmes do Panico mais considero Panico 4 o melhor. Tem que ter muita paciecia para programar tudo… É um belo de um trabalho… Boa sorte para voces espero que tenha mais filmes… para o público adorar. E quero ver se tiver mais algum panico espero que seje melhor ainda do que Panico 4. Parabens !

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