Todo animal precisa evoluir, mas antes é necessário satisfazer necessidades básicas, como, por exemplo, a conservação da sua espécie e a auto conservação. Assim, todos utilizam um recurso que conhecemos bem nestes tempos modernos e que chamamos de “agressividade”. Todo animal possui este recurso como forma de apoio à satisfação dessas necessidades. Porém, muitos seres humanos, animais com maior inteligência, também são os mais sádicos e imprevisíveis, alguns adoram exibir sua agressividade para se “divertir”. No lugar de evoluir, muitos retrocedem, pensam somente neles e não em sua espécie.

Na década de 70, muitos filmes retrataram essa violência e apresentaram um clima perturbador ao espectador, como o “Massacre da Serra Elétrica”, de Tobe Hooper, ou “A Última Casa da Esquerda”, de Wes Craven. No ano de 1978, o cinema lança o filme “Eu Cuspo em sua Cova” ( I Spit on Your Grave ), de Meir Zarchi, sendo este, mais um longa brutal e trash. Mais de 30 anos depois do lançamento deste filme, o cinema passa por uma crise de originalidade, principalmente no gênero de horror, e passa a refilmar vários filmes da década de 70 e 80, isso sem necessidade alguma. E é neste cenário que a refilmagem de “Eu Cuspo em sua Cova” chega às telas aqui no Brasil, mas os tradutores deram o medíocre nome de “Doce Vingança”, no qual é dirigido por Steven R. Monroe e escrito por Meir Zarchi (que dirigiu e escreveu o original).

A película mostra a personagem Jeniffer, jovem e bela escritora que se refugia em uma cabana, a fim de um lugar tranquilo para escrever seu novo romance, mas é agredida pelo xerife da cidade e mais quatro amigos da região, que fazem da situação um jogo de humilhação e estupro. Ao sobreviver da barbaridade, Jeniffer resolve elaborar um plano de vingança contra todos que a fizeram sofrer.

A ideia do xerife da cidade ser, na verdade, um grande monstro sádico, já foi vista no filme “O Massacre da Serra Elétrica”, sendo que no primeiro momento, a mocinha pensa que ele irá ajudar, mas logo em seguida ele mostra a sua verdadeira fase. Esta é uma fórmula já gasta, cuja pretensão é enganar o espectador, porém não funciona, entretanto, esta é uma imagem que serve para causar mais revolta em quem assiste, pois se trata de uma autoridade, com família e que vai à igreja, porém quando a máscara cai se torna um verdadeiro monstro estuprador. Esta é uma característica de muitos sádicos, que utiliza de uma imagem de bom moço para atrair a vítima.

A direção do filme é preguiçosa, isso porque, os ângulos de câmera são sempre os mesmos. A edição é muito rápida, comprometendo a construção de um clima perturbador, assim fica impossível do espectador entrar na história, sendo que em determinado momento, quem assiste já nem se importa com o fim que levará cada personagem.

Há um filme chamado “Violência Gratuita”, dirigido por Michael Haneke, cuja ideia é parecida, porém, tudo funciona e o filme acontece no seu devido tempo criando um clima insuportável. Infelizmente o filme “Doce Vingança” deixa a desejar ao analisarmos o conjunto da obra, porém irá satisfazer fãs de filmes violentos e perturbadores, como “Albergue” ou “Cannibal Holocaust”.

Bastar dar poder ao ser humano ou coloca-lo em uma situação limite para vermos o verdadeiro animal que o habita.

DOCE VINGANÇA I Spit On Your Grave

Diretor: Steven R. Monroe

Elenco: Chad Lindberg, Daniel Franzese, Tracey Walter, Rodney Eastman.

Produção: Sarah J. Donohue, Jeff Klein

Roteiro: Stuart Morse e Meir Zarchi

Duração: 108 min.

Ano: 2010

País: EUA

Gênero: Terror

This article has 2 comments

  1. Eu tenho este filme e até agora não vi , quero ver a versão original …

  2. Concordo com o artigo. E foi bem lembrado o filme “Violência Gratuita”, pois este sim tem um clima que nos deixa super tensos e dá até uma certa angústia, muito bom!
    Mas em “Doce Vingança” eu adorei a vingança que a Jeniffer preparou para cada personagem. Pareceu que o filme é mais isso mesmo… mostrar a vingança dela, e o resto não interessa pro roteirista e diretor.

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